Jose Cipriano Catarino

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Entre Cós e Alpedriz, pelo escritor Rentes de Carvalho

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Caro colega,

 

Em quatro noites seguidas fiz a leitura de Entre Cós e Alpedriz. Sinceramente lhe posso dizer que o primeiro parágrafo me entusiasmou de tal modo que com grande interesse continuei a ler. A sobriedade da cena de violação e, sobretudo, o sugerir em vez de mostrar ou detalhar, são prova de quem sabe o que encerra o mister escrita.

Essas excelentes qualidades notam-se em várias cenas, e notavelmente no final, quando Joaquina revê o seu passado.

Assim, pois, lhe dou aqui merecidos parabéns. Entre Cós e Alpedriz não é um livro perfeito – não há livros perfeitos – é, sim, um carinhoso, solidário e muito sentido testemunho.

Foi para mim um prazer lê-lo, e grato lhe fico por se ter lembrado de mo oferecer.

Cordialmente,

 

JRC

 

www.jrentesdecarvalho.com

http://tempocontado.blogspot.com

 

Do lacrau e da sua picada, pelo escritor José Cavalheiro

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Caro José Catarino

Foi com prazer que li o seu livro.

Excelente trabalho pelo que lhe dou os meus parabéns.

Simples, com vários adágios onde é transcrita a vida quotidiana de Portugal entre anos 70, 80, 90 e actual na província "civilizada".

Quem assim escreve, iria por certo gostar de ler "Luuanda" de Luandino Vieira.

As perdizes como batedouras da GNR em frente do carro de político;

Os homens que morrem meninos...
Este é um trabalho que não dispenso da minha biblioteca até porque não se vê por aí de rodízio.

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Abraço

José
 

Entre Cós e Alpedriz, por Cláudia Silva

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"(...) Claro que já li o livro e li-o num contexto medieval, pois aproveitei a minha semanita de férias para o fazer, em Sortelha. Portanto, foi entre ruinas que desbravei as paisagens de Cós e Alpedriz. Já lá vai algum tempo, pois foi em Agosto,mas recordo que teve um efeito catártico em mim, já há muito tempo que não me desligava tanto do meu mundo para me conectar a outros mundos e, ao mesmo tempo, reviver a minha existência.
Como já tinha dito, surpreendeu-me, não negativamente, apenas não era o que esperava de si. Também não consigo explicar muito bem, mas acontece que, quando conhecemos alguém, temos tendência a imaginar logo o mundo dessa pessoa e isso inclui a sua mente. Creio que se trata daquilo a que vulgarmente chamamos juizos de valor.
Acho que o Cipriano molda muito bem as personagens e encontra uma forma ardilosa de desenvolver o enredo sem o descortinar demasiado, deixando o leitor embarcar e quase sentir que está ele próprio a montar as várias peças que formam essa história. Adorei a protagonista, a destemida Jaquina, que me fez repensar um pouco o papel da mulher e as conquistas que as minhas antepassadas alcançaram para eu hoje ter a vida que tenho. Em alguns momentos,a história da Jaquina fez-me relembrar algumas protagonistas saramaguianas, também misteriosas e lutadoras, escondendo segredos passados e desvendando caminhos futuros, heroínas silenciosas. De facto, foi uma agradável surpresa esta leitura. (...)"
 

Entre Cós e Alpedriz, por Almerinda Marques

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Mais do que uma desculpa para o resgate de um tempo pretérito, através de uma ficção rasgada pelo documental, mais do que uma biografia fiel à cronologia dos factos que permeiam entre o nascer e o morrer, Entre Cós e Alpedriz é, sobretudo, a anatomia das pulsões, próximas de uma sensualidade que os eufemismos do discurso rural apresentam por limar. Desta ingenuidade aparente se descortina a seiva dos dias que, entre a aurora e o sol-posto, alimenta os protagonistas da luta pela sobrevivência.

Entre Cós e Alpedriz é o testemunho da existência dessa bifurcação, no caminho da vida, que nos apresenta o trilho alternativo ora como uma felicidade perdida, porque vivida no plano do hipotético, ora como um repetida ocasião de nos adaptarmos à implacável ordem das coisas. Que teria sido da vida da protagonista se tivesse ficado para todo o sempre com o campino que abusara dela? É a concepção do amor e do prazer sexual como objectos virtuais que, num ritmo próximo do de sístoles e de diástoles, ainda faz viver a octogenária Joaquina, tão igual às nossas avós e tias de negro cujos sonhos, por pudor ou um qualquer género de iliteracia, levaram consigo para o limbo.

Almerinda Pereira

Pintora e autora de O Gémeo da Normandia

(na foto à direita)

 

Da Sofia, sobre o lacrau

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(...) Aproveitando o facto de estar num quarto de hotel onde só há canais espanhóis, trouxe há duas semanas o Lacrau para o ler, já que em Lisboa na vida normal é impossível ler um livro. Ora qual não é o meu espanto ao descobrir que não é um livro menor, não é um "livrinho", não é uma desilusão e muito menos um embaraço. Sempre disseste tanto mal dele que estava à espera de ler algo mesmo pobrezinho!
Não tendo a proximidade de Entre Cós e Alpedriz dos Montes, dos sítios e de algumas histórias e personagens já familiares, é um bom livro, bem escrito e que deixa saudades ao acabar.
O Lacrau pode não ser o filho preferido, mas não tem porque ser mais barato! Tem tanto valor como o outro!

Encara isto como uma refilice da tua leitora (e fã) atenta e exigente, como sempre.

Beijinhos

Sofia
 


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